O presidente do União Brasil, Luciano Bivar, disse que o senador paranaense Sergio Moro (União) pode sair do partido se ficar incomodado com o apoio da legenda ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Bivar defendeu rever a legislação para garantir “um mínimo” de fidelidade partidária e afirmou que Moro vai votar como quiser e que não será coagido por ninguém. Na semana passada, o senador e ex-juiz afirmou que, apesar de seu partido ter indicado três ministros para o governo Lula, e negociar outros cargos, ele será oposição.
“Precisamos debater o papel de pessoas eleitas para cargos majoritários, mas que precisam ter um mínimo de fidelidade partidária. Precisamos rever a legislação junto ao TSE e fazer com que exista um vínculo entre o partido e o político. Afinal, a legenda investiu nele dinheiro e tempo de televisão”, afirmou ele em entrevista ao jornal O Globo. “Moro vai votar como quiser, não será coagido por ninguém, mesmo porque não tem cargos no governo. Mas ele e os demais saberão qual é a posição oficial do partido, e quem se sentir incomodado poderá sair sem qualquer prejuízo. Como tapar o sol com a peneira?”, disse o dirigente.
Segundo Moro, “a decisão de algumas pessoas integrarem o governo é delas”, e ele não tem “nenhuma relação com isso”. “As lideranças do União Brasil têm reiteradamente afirmado que o partido é independente e que caberá aos congressistas definirem suas linhas de atuação. Eu, desde o início, me posicionei como oposição racional e democrática”, alegou o senador.
Fusão
A legenda nascida da fusão entre o DEM e o PSL, partido pelo qual Bolsonaro elegeu-se em 2018, emplacou três ministros no governo Lula: Juscelino Filho (Comunicações), Daniela Carneiro (Turismo) e Waldez Góes (Integração), mesmo número de PSD, PSB e MDB, todos atrás apenas do próprio PT, com dez. Dois deles — Daniela e Waldez — têm histórico de processos na Justiça ou proximidade com suspeitos de integrar milícias, e viraram uma precoce janela de vidro para o governo.
Moro chegou a ser convidado a se filiar ao Novo, que tenta se reposicionar, após encolher nas eleições de 2022. Na semana passada, o senador e ex-juiz negou ter intenção de trocar de sigla e disse, em nota, que “respeita o partido Novo, mas está firme no União Brasil”. A esposa de Moro, Rosangela, se elegeu deputada federal pelo União Brasil em São Paulo.
via Bem Paraná





