O Paraná poderá ser o primeiro estado do Brasil a imunizar parte da população gratuitamente contra a dengue. O anúncio foi feito nesta sexta-feira pelo secretário de Estado da Saúde, Michele Caputo Neto, durante visita a Santa Casa de Paranavaí. Ele está na cidade para receber o título de Cidadão Honorário.
No próximo dia 30 de março, o secretário participará de uma reunião em Brasília com representantes do Ministério da Saúde e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que já concedeu o registro para o produto, para obter a autorização da adoção da vacina no estado.
Ele estima que, com o aval do Governo Federal, a vacina poderá ser utilizada já no primeiro trimestre. As doses serão adquiridas com recursos estaduais e deverão ser aplicadas em moradores de cidades em epidemia, que hoje já somam 30 municípios, em pré-epidemia e de fronteira, como é o caso de Foz do Iguaçu, totalizando cerca de 900 mil pessoas beneficiadas.
“Vai ser uma ferramenta auxiliar no tratamento da dengue e o bom é que ela vai tirar o vírus de circulação.. […] Eu sempre acreditei e disse que nós só conseguiremos chegar próximo ao controle absoluto da doença quando tivermos a vacina disponível e sendo usada em larga escala”, afirmou Caputo. “As doses não são baratas, mas se considerarmos o custo benefício será um grande investimento. Só para se ter uma ideia, já foram investidos mais de 12 milhões, entre recursos estaduais e privados, em Paranaguá, por conta da dengue. Então a vacina acaba sendo um bom custo benefício”, completou.
A vacina produzida pela Sanofi Aventis é a primeira validada para uso no Brasil e deve ser aplicada em três doses, ao longo de um ano. Ela é tetravalente (protege contra os sorotipos 1, 2, 3 e 4 da dengue) e deverá ser utilizada na população com idade entre 9 e 45 anos, que é a faixa etária onde a vacina apresentou maior efetividade.
O deputado federal e médico, Luciano Ducci (PSB), que acompanhou Caputo na visita, relatou que no início deste ano apresentou um projeto de lei pedindo a inclusão da vacina contra a dengue no calendário anual de vacinação, mas que, por causa da demora do Governo Federal em avaliar o projeto, decidiu procurar o secretário Caputo para tentar viabilizar a vacinação no estado. “Além do Brasil, o produto já teve registro concedido no México e Filipinas, onde tem se mostrado bastante eficaz”, salientou Ducci.
OUTROS ASSUNTOS – Além do anúncio em primeira mão sobre a vacina, o secretário também falou sobre o repasse de recursos para a conclusão da unidade II da Santa Casa (antigo Hospital Noroeste), que está sendo depositado em dia, assinou um convênio pelo programa Mãe Paranaense para a construção de uma ala voltada ao atendimento de gestantes e crianças no valor de mais de R$ 1,2 milhão, e anunciou que deve entregar, ainda este ano, um equipamento de tomografia para o hospital.
Caputo também falou dos dois gargalos da saúde pública hoje no estado: a ortopedia e a neurocirurgia. Sobre esta última especialidade, ele explicou que continua trabalhando pela vinda de uma equipe para Paranavaí. “Recentemente apareceu uma equipe que pediu R$ 100 mil por mês, o que não é inviável. Não conseguimos ainda, não é por falta de compromisso, mas porque o valor deve estar dentro do aceitável, senão quebra o hospital”, explicou.
Na Santa Casa, Caputo foi recebido pelo presidente do hospital Renato Guimarães, o coordenador administrativo, Héracles Alencar Arrais, a chefe da 14º Regional de Saúde, Verônica Gardin, além de servidores estaduais e lideranças locais e regionais.
Via: Portal da Cidade de Paranavai





