A filiação do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi, ao Republicanos está longe de ser apenas uma troca de partido. O movimento, anunciado às vésperas da janela partidária, expõe uma fissura cada vez mais difícil de esconder dentro do grupo político do governador Ratinho Junior — e que pode custar caro em 2026.
Até então abrigado no PSD, partido do próprio governador, Curi deixa a legenda após meses de articulações e conversas de bastidores, assumindo de vez sua ambição de disputar o Palácio Iguaçu. A mudança reposiciona o deputado no tabuleiro eleitoral e amplia o número de pré-candidatos orbitando a sucessão estadual .
Mas o que parece estratégia individual revela, na prática, um problema coletivo: a base governista já não fala a mesma língua.
Base fragmentada e liderança pressionada
Com a saída de Curi, o PSD perde uma de suas principais apostas e vê seu leque de opções encolher drasticamente. O partido, que antes trabalhava com múltiplos nomes para a sucessão, passa a depender praticamente de uma candidatura viável dentro de casa, enquanto aliados começam a buscar alternativas fora da legenda .
Ao mesmo tempo, outros atores do grupo seguem caminhos próprios. O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, já indicou que não pretende entrar na disputa, enquanto figuras como Rafael Greca e o próprio Curi se movimentam em direções distintas, aumentando a pressão sobre o governador para definir um rumo claro .
Nos bastidores, o cenário é de desconforto: aliados disputam espaço, prefeitos se organizam em manifestos paralelos e o comando político do grupo começa a dar sinais de desgaste.
Interior em ebulição e sinais de insubordinação
A movimentação de Curi não vem isolada. Um bloco significativo de prefeitos chegou a formalizar apoio ao seu nome, evidenciando que a base no interior já não aguarda passivamente uma decisão do Palácio Iguaçu .
O gesto, visto como pressão direta sobre o governador, reforça a leitura de que a sucessão deixou de ser coordenada para se tornar disputada — inclusive dentro da própria base.
Na prática, o que era para ser uma transição controlada começa a ganhar contornos de disputa interna.
Enquanto isso, Moro observa — e cresce
Em meio a esse cenário fragmentado, um nome segue se beneficiando do ruído: Sergio Moro.
Com a base governista dividida entre projetos pessoais, partidos diferentes e ausência de definição, o ex-juiz aparece como alternativa mais consolidada fora do grupo de Ratinho. A falta de unidade entre os governistas abre espaço para que Moro avance sem precisar enfrentar um adversário único — cenário clássico em disputas majoritárias.
A equação é simples: quanto mais candidatos saem do mesmo campo político, maior a chance de alguém de fora capitalizar o desgaste.
O risco de um erro clássico
A tentativa de manter todos os nomes sob o mesmo guarda-chuva político parece ter falhado. Em vez de unidade, o que se vê é dispersão. Em vez de estratégia, improviso.
E em política, especialmente em eleições majoritárias, divisão raramente termina bem.
Se não houver uma recomposição rápida — ou pelo menos uma definição clara de liderança — o grupo de Ratinho Junior corre o risco de repetir um erro clássico: perder a eleição não para o adversário mais forte, mas para a própria desorganização.
Enquanto isso, do outro lado, Sergio Moro agradece — em silêncio, mas em vantagem.





