
A política segue provando, mais uma vez, que memória curta não é defeito — é método. O deputado estadual Thiago Bührer e o vice-prefeito Delegado Michel oficializaram a aproximação ao desembarcarem no mesmo partido: o Partido Social Democrático.
Até pouco tempo atrás, os dois ocupavam lados bem diferentes do tabuleiro. Bührer estava no União Brasil, enquanto Michel integrava o Podemos. Mais do que siglas distintas, havia também um histórico de distanciamento político — e, em alguns momentos, de embates que deixavam claro que não havia qualquer sintonia entre eles.
Mas bastou a mudança de partido para que o cenário se transformasse completamente.
Agora, filiados ao PSD, os antigos adversários aparecem lado a lado, em clima de alinhamento e parceria. Um movimento que, claro, não passou despercebido nas redes sociais — onde eleitores rapidamente resgataram posicionamentos antigos e começaram a questionar a rapidez dessa “reconciliação”.
Afinal, o que mudou tão de repente?
Nos bastidores, a leitura é pragmática: o PSD se fortalece no Paraná, atrai nomes com base eleitoral e monta um grupo mais robusto de olho nas próximas disputas. Nesse jogo, diferenças ideológicas parecem ser apenas detalhes — facilmente ajustáveis quando o objetivo é ganhar espaço.
Para o eleitor, no entanto, fica a sensação de déjà vu. Discursos que antes separavam, agora unem. Críticas que antes eram públicas, agora desaparecem. E alianças que pareciam improváveis se tornam não apenas possíveis, mas estratégicas.
A política, como sempre, segue seu curso — onde antigos rivais não precisam explicar o passado, desde que estejam alinhados no presente.
E o presente, ao que tudo indica, atende bem aos dois lados.




