A corrida eleitoral de 2026 já começou — e, como de costume, não nas urnas, mas nos bastidores. As recentes movimentações partidárias em nível local escancaram articulações, reposicionamentos estratégicos e, principalmente, quem já decidiu entrar no jogo.
Entre os nomes que já se movimentaram, o deputado estadual Thiago Bührer deixou o União Brasil e migrou para o PSD, em um movimento que reforça o partido e indica alinhamento com um grupo político mais estruturado para a disputa. Apesar disso, o cenário para sua reeleição não deve ser simples. Mesmo contando com o apoio total da máquina pública da cidade, Bührer agora está em um partido que reúne uma bancada robusta, com 19 deputados com mandato e nomes de grande peso político, o que tende a acirrar a disputa interna por votos. Nos bastidores, a avaliação é de que o caminho até a reeleição será duro — e não está descartado o risco de ficar de fora da próxima legislatura.
Outro que também redesenhou seu caminho foi o deputado estadual Samuel Dantas, que deixou o Solidariedade e se filiou ao PL, já de olho na reeleição. Apesar do movimento estratégico, Dantas chega ao novo partido em um momento delicado. Nos bastidores, a avaliação é de que ele perdeu espaço político ao se alinhar à reeleição da prefeita Nina Singer, sem conseguir, em contrapartida, ampliar ou consolidar sua base na cidade. O resultado é um cenário mais fragilizado para a disputa, justamente quando mais precisaria de musculatura eleitoral.
Já o pastor Itamar Paim, liderança da Igreja do Evangelho Quadrangular, permanece no PL e entra na disputa com credenciais relevantes: foram mais de 48 mil votos para deputado federal em 2022, demonstrando força eleitoral consolidada. Agora, com o apoio do deputado federal Pastor Gilson, que deve buscar uma vaga na Câmara dos Deputados, Itamar mira uma cadeira na Assembleia Legislativa. Ainda assim, o desafio não será pequeno. Ele deve enfrentar uma chapa competitiva dentro do próprio partido, que pode reunir até 12 deputados estaduais, o que eleva a régua da disputa interna e torna o caminho até a ALEP mais apertado do que os números iniciais sugerem.
Enquanto isso, os vereadores optaram por uma estratégia mais cautelosa — ou, em muitos casos, por imposição das amarrações políticas. Até o momento, apenas Samuel Pinheiro e José Possebom aparecem como possíveis candidatos: Samuel deve disputar uma vaga de deputado estadual, enquanto Possebom mira a Câmara Federal. Os demais, presos a acordos políticos e composições de bastidores, não devem sequer entrar na disputa, evidenciando um cenário onde nem todos têm liberdade para testar seu capital eleitoral.
Fora da Câmara, nomes conhecidos voltaram ao radar político. O ex-vereador e ex-presidente do Legislativo, Allax Siqueira, deixou o MDB e se filiou ao Podemos, indicando que pretende retomar protagonismo no cenário local.
Outro movimento que chama atenção é o do ex-prefeito Toninho, que deixou o União Brasil e também desembarcou no PL, reforçando ainda mais o partido na cidade.
Mas uma das articulações mais comentadas envolve a empresária Miriam Ferreira. Após uma breve passagem pelo Solidariedade, ela acabou migrando para o PL a convite do senador Sergio Moro — e já é apontada nos bastidores como uma possível surpresa na disputa, especialmente por seu perfil fora da política tradicional.
Quem também reaparece no cenário é o ex-vereador Marcos da Vidrofer, que retorna à política filiado ao Republicanos, com planos de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.
Correndo por fora, mas ganhando espaço, está o jovem Everton Guedes, que ainda não definiu partido, mas vem se fortalecendo nas redes sociais com críticas contundentes à gestão da cidade. Sem estrutura partidária definida, aposta no discurso direto e no engajamento digital para se viabilizar como alternativa.
Cenário fragmentado, disputa interna e risco para quem já tem mandato
O desenho atual aponta para uma eleição marcada menos por adversários externos e mais por disputas dentro dos próprios partidos. Chapas inchadas, lideranças fortes concentradas nas mesmas siglas e acordos políticos limitando candidaturas devem resultar em um efeito direto: a pulverização de votos.
Nesse ambiente, ter mandato, estrutura ou apoio político já não garante segurança. Pelo contrário — pode significar enfrentar concorrência ainda mais dura dentro de casa.
Com o PL inflado, o PSD estruturado e outros partidos tentando não ficar para trás, a tendência é de uma disputa imprevisível, onde o cálculo eleitoral se torna mais complexo e o erro estratégico pode custar caro.
Nos bastidores, o recado é claro: a eleição de 2026 não será decidida apenas por força política, mas por capacidade real de mobilizar votos. E, diante de tantas movimentações, há mais nomes competitivos do que vagas disponíveis.





