AS JUVENTUDES E A PARTICIPAÇÃO
POLÍTICA.
ALGUMAS REFLEXÕES.
No Brasil existem cerca de 50 milhões de jovens, o que representa 26,9% da população brasileira, considerando
a parcela da população entre 15 a 29 anos.
Em Curitiba e região metropolitana este número supera a existência de
850 mil jovens, representado, portanto, cerca de 30% da população regional.
Embora os números expressem um grande contingente de jovens, apenas 8,5 %
se consideram politicamente participantes,
“de espaços reconhecidos como domínio da política, (...) de determinada esfera
pública ao buscarem informações sobre a atividade política”. (Ribeiro, Lânes, & Carrano, 2005) No entanto, pesquisa realizada do Protejo
Juventude,
revela que 85% dos jovens entrevistados consideram que a política é importante
e sabem que influencia diretamente em suas vidas (65%). Neste contexto de baixa
participação juvenil, como evidência os dados, no âmbito da atividade política,
contudo de consciência da importância dessa atividade, as juventudes refletem
um cenário de “descrédito nas instituições politicas e nos partidos. Essa
desvalorização se apoia na percepção da corrupção e da prevalência de
interesses escusos em muitas instituições”.
(Instituto Cidadania, 2004)
Apesar da baixa participação no campo da
atividade política, os jovens têm demonstrado mais envolvimento com grupos
referentes ao lazer e à cultura (Dayrell, Gomes, & Leão, 2010), sugerindo
que a participação das juventudes em atividades de qualidade política, que resultem
numa intervenção da condução política da sociedade esta em voga, entretanto em
partes, já que pesquisas relacionadas demonstram que as juventudes por meio de
seus exercícios se preocupam com o cenário político.
Os números constatam um cenário
que se reafirma na medida em que acompanhamos determinados acontecimentos.
Apesar de nos últimos anos as juventudes terem ocupado um espaço no cenário
político nacional cada vez maior, por diferentes motivos, advindo, em especial,
das recentes participações em movimentos que ficaram notórios pelo público em
geral, seja os mais recentes “rolézinhos” ou as manifestações fervorosas de
junho de 2013, e/ou até mesmo a aprovação do estatuto da juventude, conquistado
no ano passado, se constata que a participação das juventudes se enfraquece na
medida em que a política ganha aspectos institucionais, tornando público à
aversão aos partidos políticos e representantes que exercem funções políticas
no circuito da nossa democracia.
Os acontecimentos deste nível,
onde se expressam reivindicações casuais e mais complexas da conjuntura
política e econômica do país, visualizadas nas manifestações de junho de 2013,
por exemplo, dispusera uma questão importante sobre a participação dos jovens
na política, que diz respeito, a meu ver, a maneira como as juventudes hoje se
organizam e se relacionam, posto o advento das redes sociais. Neste plano, novos
desafios estão colocados às juventudes, mais profundamente, a tarefa
compartilhada com o restante da população em participar da política, o que em
certa medida é observado com cuidado e, ao mesmo tempo, entusiasmo, diante as dificuldades
que presenciamos em lograr uma melhora no funcionamento de nossa democracia.
O obstáculo, portanto, que se
afigura em cena, para a participação das juventudes está relacionado, em
especial, ao modo como fazemos funcionar nossas ligações democráticas. Ainda
que outros aspectos, de razões distintas, possam influenciar na participação
política dos jovens, os entraves que contemplam nossa democracia para seu
melhor funcionamento, aparece-me, uma das grandes questões, pois não bastam o
jovem “saber” votar, as juventudes necessitam e querem falar, organizar,
discutir e fiscalizar as ações das tomadas de decisão políticas, promovidas
pelo Estado e pelos representantes elegíveis. As discussões em torno da
democracia e sua viabilidade transpõe o envolvimento adequado apenas das
juventudes, dizem respeito a outros fatores, que marcam os embaraços para
tornarmos uma sociedade devidamente democrática. Evidente que, no entanto, o
que fazemos por meio da educação e outras políticas públicas, com as novas
gerações influenciam na caminhada do país que queremos “ser”. Por isso, medidas
que contemplem as juventudes, incentivando e permitindo, em espaços de
organização e decisão da ação pública são importantes.
O objetivo seria, por
consequência, requerer considerar as juventudes como sujeitos; “que tem
especificidades que marcam a vida de cada um (...) constitui um momento
determinado, mas não se reduz a uma passagem” (Dayrell,
2003), onde se pudesse, por ocasião, romper o poder ratificado na figura do
adulto no que concerne as decisões políticas da sociedade, concretizando, por
meio deste trunfo, um amadurecimento coletivo onde quem ganharia seria o
conjunto da população.
Em resumo, instituições públicas
que promovam educação, assistência ou cultura, podem ser exemplos de
organização e interferência dos jovens em suas atividades, o que podem leva-los
a se interessar em se relacionar com a política, optando por se filiar em
partidos políticos ou se infiltrar em movimentos sociais, por exemplo. Em que
pese possa se discutir as posições que cada jovem poderá defender
politicamente, parece-me mais urgente viabilizar a participação, concomitante,
o estudo e a reflexão crítica de suas ações, na medida em que se contribua para
a melhora da democracia e a possibilidade de construirmos uma sociedade melhor.





